quarta-feira, 6 de maio de 2026

 O BAILAR DA ROÇA: A DANÇA DO LILI E A IDENTIDADE DE CAXIAS

Prof. Esp. Francisco das C.M. dos Santos

Introdução

A vibrante cultura popular maranhense encontra na Dança do Lili uma de suas expressões mais puras de identidade, afeto comunitário e resistência histórica. Genuinamente Caxiense, essa manifestação folclórica nasceu no calor das vivências da zona rural do município em 1985, fruto do orgulho de trabalhadores rurais por sua própria história. Ela retrata com muita alegria, cores e passos ritmados o cotidiano, a lida da roça e a profunda religiosidade que ampara o homem do campo. Reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial, a dança construiu uma ponte afetuosa entre os povoados do interior e os grandes palcos urbanos. Conhecer a Dança do Lili é valorizar a memória afetiva e a criatividade artística do leste maranhense sob um olhar profundamente humanizador.

Contexto Narrativo

A Dança do Lili nasceu do calor das relações humanas e de brincadeiras comunitárias de Semana Santa nos povoados rurais de Caxias, no Maranhão. O produtor e ativista cultural Raimundo Nonato da Silva, carinhosamente eternizado como Mestre Pelé, foi a alma sensível que acolheu essas rimas, passos e tradições orais camponesas, organizando-as em um grupo estruturado em 3 de maio de 1985. A escolha da data homenageia a Invenção da Santa Cruz, aliando a fé comunitária à preservação da identidade local.

A dinâmica da coreografia encena as interações afetivas do interior, reproduzindo com respeito os movimentos do plantio, da colheita, das festas juninas e dos namoros rurais. Os brincantes, organizados em pares, utilizam vestimentas floridas, coloridas e chapéus de palha que celebram esteticamente a simplicidade e a beleza da vida camponesa. O ritmo contagiante é ditado por instrumentos percussivos tradicionais, cujos toques unem jovens e idosos em uma coreografia que atravessa gerações de Caxienses.

A salvaguarda desse patrimônio humano deu um passo fundamental com o reconhecimento formal da dança pelas instituições públicas da cidade. Em 2022, a Câmara Municipal de Caxias declarou o folguedo como Patrimônio Cultural Imaterial do Município, garantindo o incentivo às novas pesquisas escolares e universitárias. Esse reconhecimento legal honra o legado do Mestre Pelé (Raimundo Nonato da Silva) e assegura que a poesia simples e calorosa da roça continue viva nos corpos e corações das futuras gerações.

Considerações

A Dança do Lili é o Espelho da Alma Caxiense, transbordando a resiliência e o orgulho de um povo que transforma o trabalho rural em arte e celebração coletiva. Sua preservação contínua é uma homenagem afetuosa ao legado do Mestre Pelé e à dedicação de cada brincante que mantém acesa essa chama cultural. O folclore de Caxias enriquece a pluralidade do Maranhão, ensinando-nos que a verdadeira riqueza de uma nação reside na memória de suas comunidades tradicionais. Apoiar esses grupos artísticos locais é um ato de sensibilidade educacional que fortalece a autoestima e a dignidade das populações do interior. Que os Terreiros Caxienses continuem sempre abertos para receber a alegria contagiante desse sapateado tão cheio de história. O Lili segue bailando com doçura, provando que a arte popular é o abraço que une o passado ao futuro.

Referências

LIMA, Carlos Augusto. Folclore e Identidade Cultural no Leste Maranhense. São Luís: Edições Func, 2024.

MAIA, Joseane. A Dança do Lili: Tradição, Estética e Memória em Caxias. São Luís: Editora Universitária UFMA, 2023.

MARANHÃO. Secretaria de Estado da Cultura. Inventário dos Patrimônios Imateriais do Maranhão. São Luís: SECMA, 2025.

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