O BAILAR DA ROÇA: A DANÇA DO LILI E A IDENTIDADE DE CAXIAS
Prof. Esp. Francisco das C.M. dos Santos
Introdução
A vibrante cultura popular maranhense encontra
na Dança do Lili uma de suas expressões mais puras de identidade, afeto
comunitário e resistência histórica. Genuinamente Caxiense, essa manifestação
folclórica nasceu no calor das vivências da zona rural do município em 1985,
fruto do orgulho de trabalhadores rurais por sua própria história. Ela retrata
com muita alegria, cores e passos ritmados o cotidiano, a lida da roça e a
profunda religiosidade que ampara o homem do campo. Reconhecida oficialmente
como Patrimônio Cultural Imaterial, a dança construiu uma ponte afetuosa entre
os povoados do interior e os grandes palcos urbanos. Conhecer a Dança do Lili é
valorizar a memória afetiva e a criatividade artística do leste maranhense sob
um olhar profundamente humanizador.
Contexto Narrativo
A Dança do Lili nasceu do
calor das relações humanas e de brincadeiras comunitárias de Semana Santa nos
povoados rurais de Caxias, no Maranhão. O produtor e ativista cultural Raimundo
Nonato da Silva, carinhosamente eternizado como Mestre Pelé, foi a alma
sensível que acolheu essas rimas, passos e tradições orais camponesas,
organizando-as em um grupo estruturado em 3 de maio de 1985. A escolha da data
homenageia a Invenção da Santa Cruz, aliando a fé comunitária à preservação da
identidade local.
A dinâmica da coreografia
encena as interações afetivas do interior, reproduzindo com respeito os
movimentos do plantio, da colheita, das festas juninas e dos namoros rurais. Os
brincantes, organizados em pares, utilizam vestimentas floridas, coloridas e chapéus
de palha que celebram esteticamente a simplicidade e a beleza da vida
camponesa. O ritmo contagiante é ditado por instrumentos percussivos
tradicionais, cujos toques unem jovens e idosos em uma coreografia que
atravessa gerações de Caxienses.
A salvaguarda desse patrimônio humano deu um
passo fundamental com o reconhecimento formal da dança pelas instituições
públicas da cidade. Em 2022, a Câmara Municipal de Caxias declarou o folguedo
como Patrimônio Cultural Imaterial do Município, garantindo o incentivo às
novas pesquisas escolares e universitárias. Esse reconhecimento legal honra o
legado do Mestre Pelé (Raimundo Nonato da Silva) e assegura que a poesia
simples e calorosa da roça continue viva nos corpos e corações das futuras
gerações.
Considerações
A Dança do Lili é o Espelho da Alma Caxiense,
transbordando a resiliência e o orgulho de um povo que transforma o trabalho
rural em arte e celebração coletiva. Sua preservação contínua é uma homenagem
afetuosa ao legado do Mestre Pelé e à dedicação de cada brincante que mantém acesa
essa chama cultural. O folclore de Caxias enriquece a pluralidade do Maranhão,
ensinando-nos que a verdadeira riqueza de uma nação reside na memória de suas
comunidades tradicionais. Apoiar esses grupos artísticos locais é um ato de
sensibilidade educacional que fortalece a autoestima e a dignidade das
populações do interior. Que os Terreiros Caxienses continuem sempre abertos
para receber a alegria contagiante desse sapateado tão cheio de história. O
Lili segue bailando com doçura, provando que a arte popular é o abraço que une
o passado ao futuro.
Referências
LIMA,
Carlos Augusto. Folclore e Identidade
Cultural no Leste Maranhense. São Luís: Edições Func, 2024.
MAIA,
Joseane. A Dança do Lili: Tradição,
Estética e Memória em Caxias. São Luís: Editora Universitária UFMA, 2023.
MARANHÃO.
Secretaria de Estado da Cultura. Inventário
dos Patrimônios Imateriais do Maranhão. São Luís: SECMA, 2025.